
Publicados em 1941, os "Contos da Montanha" mostram-nos rostos que genuinamente reconhecemos como pedaços de uma nossa identidade. Miguel Torga arrepia. É o frio da serrania, a agrura de uma natureza enorme. Os retratos são os da gente que aí trabalha lado a lado com a fatalidade da vida.
"Embora gatuno de profissão, pois que não se podia chamar cesteiro a quem só lá de tempos a tempos fazia um cesto por desfastio, Faustino, mal deu de chofre com a capela, teve um baque no coração. E parou. Nunca assaltara nenhum lugar sagrado. Sempre era roubar a Senhora da Saúde!" (Um Roubo, Contos da Montanha, 1941)

Outra obra de Miguel Torga, "Os Bichos", deu a Coimbra uma peça de teatro inesquecível. Era uma noite de inverno, o ano 1990. Entre as fogueiras improvisadas num arruinado Convento de São Francisco estava presente o autor. A comunhão do momento é difícil de descrever. Culpe-se o Teatro O Bando.
"Embora gatuno de profissão, pois que não se podia chamar cesteiro a quem só lá de tempos a tempos fazia um cesto por desfastio, Faustino, mal deu de chofre com a capela, teve um baque no coração. E parou. Nunca assaltara nenhum lugar sagrado. Sempre era roubar a Senhora da Saúde!" (Um Roubo, Contos da Montanha, 1941)

Outra obra de Miguel Torga, "Os Bichos", deu a Coimbra uma peça de teatro inesquecível. Era uma noite de inverno, o ano 1990. Entre as fogueiras improvisadas num arruinado Convento de São Francisco estava presente o autor. A comunhão do momento é difícil de descrever. Culpe-se o Teatro O Bando.

[ Ler "Contos da Montanha" ]
Contos | O Castigo; O Pé Tolo; Um Roubo; Amor ~~~ A Maria Lionça; O desamparo de S. Frutuoso.
Cantos | Diabo a Sete ("Para lá do Marão"); Lula Pena ("Senhora do Almortão"); Gaiteiros de Lisboa ("Contra chula não há argumentos"); Isabel Silvestre ("A gente não lê"); Rui Júnior ("Eira"); Rui de Mascarenhas ("Pauliteiros do Douro") ~~~ Fol & Ar ("Tocandare [hanter-dro]"); Adélia Garcia ("A Fonte Do Salgueirinho"); Galandum Galundaina ("La lhoba parda", "Cirigoça"); Pé na Terra ("Pur La Terra"); Mu ("Ayla"); António Variações ("É p'rá amanhã").

{Podcast: ouvir ou gravar a 1ª parte; ouvir ou gravar 2ª parte}
O Rui Oliveira, do programa "Porto de Abrigo", empresta serrania para dar voz à alma de gente brava. Entre o céu e a terra, na Rádio Universidade de Coimbra, às doze de sábado, dias 4 e 11, pela noitinha.






