140. "Contos da Montanha" (Miguel Torga) por Rui Oliveira

[Emissão Sáb.04&11.Abr.2009.24h]

Publicados em 1941, os "Contos da Montanha" mostram-nos rostos que genuinamente reconhecemos como pedaços de uma nossa identidade. Miguel Torga arrepia. É o frio da serrania, a agrura de uma natureza enorme. Os retratos são os da gente que aí trabalha lado a lado com a fatalidade da vida.

"Embora gatuno de profissão, pois que não se podia chamar cesteiro a quem só lá de tempos a tempos fazia um cesto por desfastio, Faustino, mal deu de chofre com a capela, teve um baque no coração. E parou. Nunca assaltara nenhum lugar sagrado. Sempre era roubar a Senhora da Saúde!" (Um Roubo, Contos da Montanha, 1941)


Outra obra de Miguel Torga, "Os Bichos", deu a Coimbra uma peça de teatro inesquecível. Era uma noite de inverno, o ano 1990. Entre as fogueiras improvisadas num arruinado Convento de São Francisco estava presente o autor. A comunhão do momento é difícil de descrever. Culpe-se o Teatro O Bando.


Contos | O Castigo; O Pé Tolo; Um Roubo; Amor ~~~ A Maria Lionça; O desamparo de S. Frutuoso.

Cantos | Diabo a Sete ("Para lá do Marão"); Lula Pena ("Senhora do Almortão"); Gaiteiros de Lisboa ("Contra chula não há argumentos"); Isabel Silvestre ("A gente não lê"); Rui Júnior ("Eira"); Rui de Mascarenhas ("Pauliteiros do Douro") ~~~ Fol & Ar ("Tocandare [hanter-dro]"); Adélia Garcia ("A Fonte Do Salgueirinho"); Galandum Galundaina ("La lhoba parda", "Cirigoça"); Pé na Terra ("Pur La Terra"); Mu ("Ayla"); António Variações ("É p'rá amanhã").


{Podcast: ouvir ou gravar a 1ª parte; ouvir ou gravar 2ª parte}

O Rui Oliveira, do programa "Porto de Abrigo", empresta serrania para dar voz à alma de gente brava. Entre o céu e a terra, na Rádio Universidade de Coimbra, às doze de sábado, dias 4 e 11, pela noitinha.

139. "Le Piège de Méduse" (Erik Satie) por Pierre Bertin et al

[Emissão Sáb.28.Mar.2009.24h]

«Le Piège de Méduse» leva-nos ao solitário Barão Méduse. É uma comédia lírica, por certo não uma das obras mais conhecidas de Erik Satie. Foi apresentada pela primeira vez em 1913 num salão privado e só bastante mais tarde, quando já se falava do teatro do absurdo, do manifesto surrealista, se tornou conhecida do grande público. Esta é uma das raras interpretações registadas (RTF, Ciclo de emissões "Les Mémoires d’un amnésique", Roland Bacri, 1961).

«C’est ici une pièce de fantaisie... sans réalité. Une boutade. N’y voyez pas autre chose. Le rôle du baron Méduse est une façon de portrait... C’est même mon portrait... un portrait en pied.» (Erik Satie)

Cinco personagens: o Barão Méduse, a sua filha Frisette e noivo Astolpho, o criado e camarada Polycarpe e Jonas, um macaco mecânico que dança música nos intervalos entre cenas (executada originalmente por Satie ao piano com folhas entre as cordas para efeito sonoro).

Sete interlúdios musicais: uma quadrilha terna, uma valsa desarticulada, uma peça entre o circense e a fanfarra militar, uma mazurka pouco polaca, uma dança rápida, uma polka alegre, uma quadrilha final.

Depois da comédia lírica, são apresentados excertos de alguns escritos de Erik Satie.

Sequência | Introduction; Le Piège de Méduse, comédie lyrique en 1 acte avec 7 petites danses; Elections; L'origine des Satie; La grenouille américaine; Les cafés; Montmartre, l'omnibus automobile; La journée d'un artiste; Quelle chance d'etre vieux; Air du rat; Air du poète; Première Gnossienne. Interpretação: Pierre Bertin (Baron Méduse), Jean Parédès (Polycarpe), Denise Benoit (Frisette), Jean-Christophe Benoit (Astolpho). Música: Jean-Pierre Armengaud (piano), Hervé Désarbre (órgão), René Farabet (voz), Anne-Sophie Schmidt (voz), Henri Sauguet (direcção).

Astolfo – «N’est-elle pas votre fille ?
Méduse – Frisette est ma fille de lait. Oh! c’est toute une histoire. Je ne vous la raconterai pas: vous n’y comprendriez rien... Moi non plus, du reste.»


{Podcast: ouvir}

Satie na Rádio Universidade de Coimbra, em 107.9 FM, sábado 28 de Março, à meia-noite.

138. "Jazz of The Beat Generation" (com Jack Kerouac)

[Emissão Sáb.21.Mar.2009.24h]

Aproveitando a boleia, viajamos esta semana com a Beat Generation via Jazz FM Records. Ao volante, a voz de Jack Kerouac apresenta a música de Charlie Parker, Lester Young, Thelonious Monk e outros.

Roteiro | Beat Generation - Jack Kerouac | Gasser - Roy Eldridge | Real Crazy Cool - Big Jay McNeely | Hey! Ba-Ba-Re-Bop - Lionel Hampton | In a Little Spanish Town - Lester Young | Fantasy: The Early History of Bop [Section 1] - Jack Kerouac | Salt Peanuts - Dizzy Gillespie | Scrapple from the Apple - Charlie Parker | Fantasy: The Early History of Bop [Section 2] - Jack Kerouac | Half Nelson - Miles Davis | Sorry, Wrong Rhumba - George Shearing | Fantasy: The Early History of Bop [Section 3] - Jack Kerouac | Slim's Jam - Slim Gaillard | Fantasy: The Early History of Bop [Section 4] - Jack Kerouac | I Only Have Eyes for You - Billy Eckstine | Hunt - Dexter Gordon, Wardell Gray | Fantasy: The Early History of Bop [Section 5] - Jack Kerouac | Hackensack - Thelonious Monk | Subconscious-Lee - Lennie Tristano | Stella by Starlight - Stan Getz | Line for Lyons - Gerry Mulligan Quartet.

{Podcast: ouvir ou gravar.}

Beep bop beat! Rádio Universidade de Coimbra, 107.9 FM, sábado 21 de Março, meia-noite.