Quarta-feira, Novembro 04, 2009

160. "Short Stories" (Anton Tchekhov)

[Emissões Sáb.07.14.21.28.Nov.&.05.12.19.Dez.2009.24h]

Esta semana partimos à descoberta da escrita de Anton Pavlovitch Tchekhov, nome incontornável do teatro mas também autor de centenas de contos que escreveu, paralelamente à vida profissional de médico. Numa série de belíssimas dramatizações da rádio estatal de Seattle, a KUOW-FM, dos anos 90, são-nos apresentados, de forma cronológica, fragmentos da obra do escritor e dramaturgo russo.

Short Stories | ~ Parte 1 ~ The Chameleon (1884); Oysters (1884); The Culprit (1885); The Chorus Girl (1986); A Calamity (1886). ~ Parte 2 ~ The Kiss (1888); The Shoemaker and the Devil (1888); Sleepy (1888). ~ Parte 3 ~ Gusev (1890); The Grasshopper (1892). ~ Parte 4 ~ Fear (1892); Anna on the Neck (1895). ~ Parte 5 ~ The Man in a Shell (1898); The Lady with the Dog (1899). ~ Parte 6 ~ In the Ravine (1900). ~ Parte 7 ~ A Marriageable Girl (1903).

Créditos | Jean Sherrard e John Siscoe (direcção); John Aylward, Laurence Ballard, Elizabeth Huddle, Frank Corrado et al (actores); Ken Benshoof com a Seattle Symphony (música).

{Podcast: ouvir partes 1, 2, ou gravar partes 1, 2}

Para ouvir no éter dos 107.9FM, aos sábados, à meia-noite, entre 7 de Novembro e 19 de Dezembro.

Domingo, Outubro 25, 2009

159. "Zé do Telhado" (Camilo Castelo Branco) por Emanuel Botelho

[Emissão Sáb.31.Out.2009.24h]

José Teixeira da Silva, nascido em 1818 no lugar do Telhado, Castelões de Recezinhos, comarca de Penafiel, é dos salteadores mais conhecidos da história portuguesa. "Zé do Telhado", nome que saltou para além do Marão, diz o povo, roubava aos ricos para dar aos pobres. A fama, essa, não lhe valeu aos olhos da justiça nem o salvou da Cadeia da Relação no Porto, onde por fim recolheu, acusado de roubos vários, homicídio, organização de quadrilha de assaltantes e evasão tentada sem passaporte. Lá travou conhecimento com Camilo Castelo Branco, ele que, por outros motivos românticos, era na altura hóspede do local. Dessa estadia resulta "Memórias do Cárcere", onde ficam gravados os feitos do bandoleiro.

«Este nosso Portugal é um país em que nem pode ser-se salteador de fama, de estrondo, de feroz sublimidade. (...) Roubar ilustriosamente, é engenho. Saquear a ferro e fogo, é roubo. (...) Diz algo, no entanto, como exemplo desta lastimável anomalia, a história de José Teixeira da Silva do Telhado, o mais afamado salteador deste século. (...) Seu pai era o famigerado Joaquim do Telhado, capitão de ladrões, valente com as armas e raio devastador em franceses que ele matava porque eram franceses e porque eram ladrões, posto que, na qualidade de membro da nação espoliada, o Senhor Joaquim chamasse só a si o que era de fazenda nacional. Um tio-avô de José Teixeira, chamado ele o Sodiano, já tinha sido salteador de porte e infestara o Marão durante muitos anos.»
(Na foto: Camilo Castelo Branco e José Teixeira da Silva).

Os tempos pediam heróis. Depois de três invasões napoleónicas, o país seguia na miséria, dividido entre lutas liberais e absolutistas, com a corte exilada num Brasil distante e os que ficaram em terra entregues à crise económica e política. Da Guerra Civil, tal como Maria da Fonte, também Zé do Telhado sai herói. Pela bravura ao lado das tropas liberais do General-Visconde de Sá da Bandeira, condecoram-no com a "Ordem da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito". Da tropa e desempregado, voltou para a mulher e cinco filhos, seguindo a vida de salteador que lhe valeu a fama. Os anos ao comando da quadrilha de bandoleiros de Custódio, o "Boca Negra" não lhe custaram enfim a forca, mas o degredo. É em Malanje, Angola, que terminou os seus dias, negociante de borracha, cera e marfim e a dar pelo nome de "Quimuêzo", o homem de barbas grandes.

Banda Sonora | Fol&ar (Baú Vermelho, Tocandare, Valsa do João Sem Medo, Pólvora no Olhar, Caracol da Graça, Carmo 3 da Manhã, Íntima Insatisfação, 21 Gramas), Gaiteiros de Lisboa (Nordeste, Contra chula não há argumentos, Mbira do Norte, Rondacalhe), Desconhecido (Marcha do Zé do Telhado).

{Podcast: ouvir ou gravar}

A dívida fica para com o Emanuel Botelho, do programa "No Money No Honey", encarna Zé do Telhado, de assalto à Rádio Universidade de Coimbra, em 107.9 FM, este sábado, 31 de Outubro, à meia-noite. A propósito, alguém se lembra do "Escrita da Terra"? Paulo Saraiva, por onde andas?

Sexta-feira, Setembro 25, 2009

158. "L'Antologie Sonore de L'Avant Garde en Belgique" (René Magritte: le groupe Surréaliste de Bruxelles, Rupture, Vol. 2, 1926-1938)

[Emissão Sáb.27.Set.2009.24h]

Esta semana fomos a Bruxelas ao Musée Magritte, que abriu em Junho passado. A proposta de audição vai para parte da antologia sonora do avant-guarde na Bélgica recolhida pela chancela belga Sub Rosa, em particular para Magritte e os demais membro do Groupe Surréaliste de Bruxelles, Rupture: E.L.T. Mesens, René Magritte, Louis Scutenaire, André Souris, Paul Nougé, Marcel Lecomte, Achille Chavée, Paul Colinet, Paul Delvaux, Fernand Dumont, Marcel Mariën, Constant Malva, Irène Hamoir.

{Podcast: ouvir ou gravar}

Para ouvir na Rádio Universidade de Coimbra, em 107.9FM ou via internet, sábado, 27 de Setembro, à meia-noite.

NOTA: Nos sábados 10 e 17 será transmitida a reposição dos "Contos da Montanha" de Miguel Torga e a 24 de Outubro, os 107.9FM levam a cabo uma emissão especial Festa das Latas e Imposição de Insígnias 2009 a partir do Parque da Cidade.

Quinta-feira, Agosto 27, 2009

154. "Bonjour tristesse" (Françoise Sagan)

[Emissão Sáb.29.Ago.05.12.19.Set.2009.24h]

Escrito aos 18 anos por Françoise Sagan, «Bonjour tristesse» foi o seu primeiro livro e conheceu um estrondoso e imediato sucesso, chocando muitos pela liberdade que apropriava, em particular numa altura em que terminavam os anos da reconstrução pós II Guerra Mundial.

No palco de umas férias de verão, uma mão de personagens cruza diferentes experimentações do amor: Cécile, uma adolescente de 17 anos; Raymond, o pai viúvo alegre e suas amigas, Elsa, jovem e mundana e Anne, culta e madura. Cécile vive a libertação sexual e conhece a tristeza, entre a presença do estudante Cyril e o confronto de relações que opõe Elsa e Anne enquanto mulheres num complicado jogo de relações.

"Sur ce sentiment inconnu dont l’ennui, la douceur m’obsèdent, j’hésite à apposer le nom, le beau nom grave de tristesse. C’est un sentiment si complet, si égoïste que j’en ai presque honte alors que la tristesse m’a toujours paru honorable. Je ne la connaissais pas, elle, mais l’ennui, le regret, plus rarement le remords. Aujourd’hui, quelque chose se replie sur moi comme une soie, énervante et douce, et me sépare des autres. (...) Quand je suis dans mon lit, à l’aube, avec le seul bruit des voitures dans Paris, ma mémoire parfois me trahit: l’été revient et tous ces souvenirs. Anne, Anne! Je répète ce nom très bas et très longtemps dans le noir. Quelque chose monte alors en moi que j’accueille par son nom, les yeux fermés: Bonjour Tristesse."

{Trailer do filme «Bonjour tristesse», adapt., Otto Preminger, 1957}

Banda Sonora | Deaf Center (Pale Ravine).

{Podcast: ouvir partes 1, 2, 3, 4 ou gravar partes 1, 2, 3, 4}


Adieu tristesse, bonjour tristesse... Um verão de 1954 para ouvir em 4 partes na Rádio Universidade de Coimbra, em 107.9FM ou via internet, sábado, 29 de Agosto e 5, 12 e 19 de Setembro, à meia-noite.

Quinta-feira, Agosto 20, 2009

153. "Crônicas e poesias" (Vinicius de Moraes) por Odete Lara

[Emissão Sáb.22.Ago.2009.24h]

Vinicius de Moraes, "capitão do mato, poeta e ex-diplomata, o branco mais preto do Brasil na linha directa de Xangô", do outro lado do Atlântico, chegando-nos pela voz de Odete Lara.

«Há um lindo e antigo elo poético-musical-fonográfico entre Odete Lara e Vinicius de Moraes. Foi de vozes e mãos dadas com Odete que um tímido Vinicius entrou pela primeira vez num estúdio para gravar um disco – Vinicius & Odete, pela Elenco, em 1962. Eram tempos de astronautas, bênçãos e berimbaus. Os anos se passaram e, enquanto Vinicius tornou-se senhor dos estúdios, dos palcos e das luzes, Odete fez o caminho contrário: escolheu uma sombra onde recolher-se e buscar a sua própria luz interior – que encontrou. Agora, os dois estão de volta ao microfone. Só que, desta vez, Odete não tem Vinicius fisicamente ao seu lado. Mas ele está dentro dela, dentro de nós, impregnando-nos com sua tremenda poesia. Odete diz Vinicius como Vinicius dizia Vinicius: com um véu na voz par disfarçar a clareza do pensamento e com um traço de melancolia para sublinhar a beleza desses versos cheios de compaixão.» (Ruy Castro)

Crônicas e Poesias | A Hora Íntima; O Poeta e a Rosa; Elegia Desesperada; Soneto do Corifeu; Soneto do Amor Maior; Soneto do Amor Total; Soneto de Separação; Soneto de Fidelidade; O Operário em Construção; Poema de Auteil; Pátria Minha; Mensagem a Rubem Braga.



Banda Sonora | Vinicius de Moraes e Odete Lara (Além do Amor; Samba em Prelúdio; Samba da Benção), 1963.

{Podcast: ouvir ou gravar}

Saravá! Na Rádio Universidade de Coimbra, em 107.9FM ou via internet, sábado, 22 de Agosto, à meia-noite.

Sábado, Agosto 08, 2009

152. "Best Seller dos Discos" (Raul Solnado)

[Emissão Sáb.15.Ago.2009.24h]

Recordando o sorriso de Raul Solnado, que nos deixa, estaremos este sábado na companhia de alguns dos seus trabalhos humorísticos.

A guerra de 1908; História da minha vida; Ida ao médico; É do inimigo?; Concerto de violino (da revista Lisboa à noite); O bombeiro voluntário; Chamada para Washington; O repuxo; O cabeleireiro de senhoras.

{Podcast: ouvir ou gravar}

Na Rádio Universidade de Coimbra, em 107.9FM ou via internet, sábado, 15 de Agosto, à meia-noite.

Quinta-feira, Agosto 06, 2009

151. "El ingenioso hidalgo don Quijote de la Mancha" (Cervantes)

[Emissão Sáb.08.Ago.2009.24h]

Obra cimeira de Miguel de Cervantes, obra de referência da literatura espanhola e obra que preenche o imaginário de muitas pessoas no mundo: "El ingenioso hidalgo don Quijote de la Mancha", publicada em 1605, marca o início das aventuras de Sancho Panza, Dulcinea, Rocinante e Don Quijote.

O escritor Mario Vargas Llosa dá-nos o prazer de apresentar esta produção da Radio Programas del Perú:

«A veces, un autor o un libro se convierten en el símbolo de una lengua y de una cultura. Lo que son Dante y la "Divina Comedia" para el italiano y los dramas de Shakespeare para el inglés, lo es Don Quijote de la Mancha para la lengua española. Escrito a finales del siglo XVI por Miguel de Cervantes Saavedra, "El ingenioso hidalgo don Quijote de la Mancha", cuyo primer tomo se publicó en 1605 y el segundo 10 años después, se convertiría en el libro emblemático de la lengua española, una novela que rompería todas las fronteras e iría conquistando el mundo. Narra las aventuras de un hidalgo de la mancha a quien los libros de caballerías enloquecen e inducen a salir a los campos de Castilla, a resucitar las hazañas de los caballeros andantes, en una época en la que éstos habían ya desaparecido en Europa. En un primer momento, los lectores leían el "Quijote" como la novela cómica de un personaje estrafalario, que confundía los molinos de viento con gigantes y veía princesas en desastradas campesinas. A su lado, el buen Sancho Panza, transformado en escudero medieval por la fantasía del Quijote, trataba inútilmente de imponer su sentido común ante la imaginación encabritada de su amo. Con el tiempo, sin embargo, se vería en el "Quijote" una parábola del hombre idealista y rebelde que se subleva ante las limitaciones de la vida cotidiana y trata de llevar su entorno a la altura de sus sueños. El "Quijote" pasó a ser visto como un adelantado de la historia, un descubridor de mundos, un transformador de la realidad, uno de esos seres gracias a cuya intuición y valentía, la humanidad ha progresado desde la caverna primitiva hasta las grandes revoluciones científicas y los viajes espaciales. En cambio, Sancho Panza pasaría a representar el ser conformista, alguien que, si fuera por él, la humanidad permanecería todavía prisionera de la rutina de la vida animal. El "Quijote" es una novela deslumbrante, que entretiene y emociona, un paseo por los pueblos calcinados por el sol y los caminos peligrosos de la España del siglo de oro. Yo intenté leer el "Quijote" cuando estaba en el colegio. Fracasé en empeño porque su lenguaje contenía expresiones de difícil comprensión para un niño de pantalón corto. Años después, lo intenté de nuevo, estimulado por "La Ruta de Don Quijote", un librito de Azorín. Esta vez se produjo el milagro y aquella lectura fue una de las experiencias más memorables que he tenido. Desde entonces he leído el Quijote tres o cuatro veces y siempre como si fuera la primera lectura por la frescura de sus páginas y la viva actualidad de esta novela que acaba de cumplir ya cuatro siglos.»

{Podcast: ouvir ou gravar}

Através da língua de Cervantes, procuramos moinhos de vento, na sintonia da Rádio Universidade de Coimbra, em 107.9FM, este sábado, 8 de Agosto, à meia-noite.

Quinta-feira, Maio 14, 2009

142. "Il Nome Della Rosa" (Umberto Eco)

[Emissão Sáb.16.Mai.13&20&27.Jun.04&11&18.Jul.2009.24h]

Em 1327, o frade franciscano Guglielmo da Baskerville viaja até um mosteiro beneditino nos Alpes italianos para preparar uma reunião de uma delegação papal. É surpreendido por um crime recente na abadia, cuja investigação toma a seu cargo.

Em busca da verdade e com a ajuda do seu pupilo Adso de Melk, o frade percorre os caminhos labirínticos da biblioteca, descobrindo livros proibídos pela Igreja, que vinham sendo escondidos por monges copistas. Numa reflexão sobre a história europeia, faz-se um exercício de cruzamentos conflituosos: o poder secular e o pensamento livre; o espiritual e o material; o universal e o particular; o peso da inquisição ou a leveza do riso.

Uma produção da Radio Due italiana com adaptação da obra de Umberto Eco a cargo de Piero Soria. Pistas para ouvir em 107.9FM, às meia-noites de sábados, a partir de 16 de Maio e até Julho.

{Podcast: ouvir partes 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 ou gravar partes 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9}

NOTA: Nos sábados 23 e 30 de Maio e 6 de Junho não haverá emissão do programa: os 107.9FM levam a cabo a transmissão dos concertos after-hours do Jazz ao Centro e ainda do baile de música tradicional BalhaRuco no Centro Norton de Matos (com a presença de Diabo a Sete e Pé na Terra). O Livro de Cabeceira regressa a 13 de Junho.

Quinta-feira, Abril 23, 2009

141. "Miroir Noir" (Arcade Fire)

[Emissão Sáb.25.Abr.2009.24h]

Do outro lado do telefone, em linha, à espera da palavra.


Seguimos a trilha sonora dos Arcade Fire, na Rádio Universidade de Coimbra, à meia-noite de sábado, 25 de Abril.

NOTA: Nos sábados 2 e 9 de Maio, a os 107.9FM da Rádio Universidade de Coimbra transmitem uma emissão especial a partir do recinto da Queima das Fitas de Coimbra. O Livro de Cabeceira regressa a 16 de Maio.

Sábado, Março 28, 2009

140. "Contos da Montanha" (Miguel Torga) por Rui Oliveira

[Emissão Sáb.04&11.Abr.2009.24h]

Publicados em 1941, os "Contos da Montanha" mostram-nos rostos que genuinamente reconhecemos como pedaços de uma nossa identidade. Miguel Torga arrepia. É o frio da serrania, a agrura de uma natureza enorme. Os retratos são os da gente que aí trabalha lado a lado com a fatalidade da vida.

"Embora gatuno de profissão, pois que não se podia chamar cesteiro a quem só lá de tempos a tempos fazia um cesto por desfastio, Faustino, mal deu de chofre com a capela, teve um baque no coração. E parou. Nunca assaltara nenhum lugar sagrado. Sempre era roubar a Senhora da Saúde!" (Um Roubo, Contos da Montanha, 1941)


Outra obra de Miguel Torga, "Os Bichos", deu a Coimbra uma peça de teatro inesquecível. Era uma noite de inverno, o ano 1990. Entre as fogueiras improvisadas num arruinado Convento de São Francisco estava presente o autor. A comunhão do momento é difícil de descrever. Culpe-se o Teatro O Bando.


Contos | O Castigo; O Pé Tolo; Um Roubo; Amor ~~~ A Maria Lionça; O desamparo de S. Frutuoso.

Cantos | Diabo a Sete (Para lá do Marão); Gaiteiros de Lisboa (Contra chula não há argumentos); Isabel Silvestre (A gente não lê); Rui Júnior (Eira); Rui de Mascarenhas (Pauliteiros do Douro) ~~~ Fol & Ar (Tocandare [hanter-dro]); Adélia Garcia (A Fonte Do Salgueirinho); Galandum Galundaina (La lhoba parda, Cirigoça); Pé na Terra (Pur La Terra); Mu (Ayla); António Variações (É p'rá amanhã).


{Podcast: ouvir ou gravar a 1ª parte; ouvir ou gravar 2ª parte}

O Rui Oliveira, do programa "Porto de Abrigo", empresta serrania para dar voz à alma de gente brava. Entre o céu e a terra, na Rádio Universidade de Coimbra, às doze de sábado, dias 4 e 11, pela noitinha.

Quarta-feira, Março 25, 2009

139. "Le Piège de Méduse" (Erik Satie) por Pierre Bertin et al

[Emissão Sáb.28.Mar.2009.24h]

«Le Piège de Méduse» leva-nos ao solitário Barão Méduse. É uma comédia lírica, por certo não uma das obras mais conhecidas de Erik Satie. Foi apresentada pela primeira vez em 1913 num salão privado e só bastante mais tarde, quando já se falava do teatro do absurdo, do manifesto surrealista, se tornou conhecida do grande público. Esta é uma das raras interpretações registadas (RTF, Ciclo de emissões "Les Mémoires d’un amnésique", Roland Bacri, 1961).

«C’est ici une pièce de fantaisie... sans réalité. Une boutade. N’y voyez pas autre chose. Le rôle du baron Méduse est une façon de portrait... C’est même mon portrait... un portrait en pied.» (Erik Satie)

Cinco personagens: o Barão Méduse, a sua filha Frisette e noivo Astolpho, o criado e camarada Polycarpe e Jonas, um macaco mecânico que dança música nos intervalos entre cenas (executada originalmente por Satie ao piano com folhas entre as cordas para efeito sonoro).

Sete interlúdios musicais: uma quadrilha terna, uma valsa desarticulada, uma peça entre o circense e a fanfarra militar, uma mazurka pouco polaca, uma dança rápida, uma polka alegre, uma quadrilha final.

Depois da comédia lírica, são apresentados excertos de alguns escritos de Erik Satie.

Sequência | Introduction; Le Piège de Méduse, comédie lyrique en 1 acte avec 7 petites danses; Elections; L'origine des Satie; La grenouille américaine; Les cafés; Montmartre, l'omnibus automobile; La journée d'un artiste; Quelle chance d'etre vieux; Air du rat; Air du poète; Première Gnossienne. Interpretação: Pierre Bertin (Baron Méduse), Jean Parédès (Polycarpe), Denise Benoit (Frisette), Jean-Christophe Benoit (Astolpho). Música: Jean-Pierre Armengaud (piano), Hervé Désarbre (órgão), René Farabet (voz), Anne-Sophie Schmidt (voz), Henri Sauguet (direcção).

Astolfo – «N’est-elle pas votre fille ?
Méduse – Frisette est ma fille de lait. Oh! c’est toute une histoire. Je ne vous la raconterai pas: vous n’y comprendriez rien... Moi non plus, du reste.»


{Podcast: para ouvir ou gravar}

Satie na Rádio Universidade de Coimbra, em 107.9 FM, sábado 28 de Março, à meia-noite.

Quinta-feira, Março 19, 2009

138. "Jazz of The Beat Generation" (com Jack Kerouac)

[Emissão Sáb.21.Mar.2009.24h]

Aproveitando a boleia, viajamos esta semana com a Beat Generation via Jazz FM Records. Ao volante, a voz de Jack Kerouac apresenta a música de Charlie Parker, Lester Young, Thelonious Monk e outros.

Roteiro | Beat Generation - Jack Kerouac | Gasser - Roy Eldridge | Real Crazy Cool - Big Jay McNeely | Hey! Ba-Ba-Re-Bop - Lionel Hampton | In a Little Spanish Town - Lester Young | Fantasy: The Early History of Bop [Section 1] - Jack Kerouac | Salt Peanuts - Dizzy Gillespie | Scrapple from the Apple - Charlie Parker | Fantasy: The Early History of Bop [Section 2] - Jack Kerouac | Half Nelson - Miles Davis | Sorry, Wrong Rhumba - George Shearing | Fantasy: The Early History of Bop [Section 3] - Jack Kerouac | Slim's Jam - Slim Gaillard | Fantasy: The Early History of Bop [Section 4] - Jack Kerouac | I Only Have Eyes for You - Billy Eckstine | Hunt - Dexter Gordon, Wardell Gray | Fantasy: The Early History of Bop [Section 5] - Jack Kerouac | Hackensack - Thelonious Monk | Subconscious-Lee - Lennie Tristano | Stella by Starlight - Stan Getz | Line for Lyons - Gerry Mulligan Quartet.

{Podcast: ouvir ou gravar.}

Beep bop beat! Rádio Universidade de Coimbra, 107.9 FM, sábado 21 de Março, meia-noite.

Quarta-feira, Fevereiro 25, 2009

137. "On The Road" (Jack Kerouac) por Tiago Gomes e Tó Trips (adapt.)

[Emissão Sáb.14.Mar.2009.24h]

Na semana do 23º Aniversário da Rádio Universidade de Coimbra, o programa Livro de Cabeceira tem o prazer de receber para uma emissão exclusiva e muito especial «On The Road». Tiago Gomes e Tó Trips oferecem à RUC uma gravação da sua adaptação para a obra colossal de Jack Kerouac, já com mais de 50 anos.

"And this was really the way that my whole road experience began, and the things that were to come are too fantastic not to tell."

Tiago Gomes é responsável pela Revista Bíblia e dá a voz. Tó Trips, a guitarra dos Dead Combo, dá a fotografia sonora. Em finais de Abril «On The Road» estará já nas lojas em formato disco, com a chancela da Música Avariada. Na versão ao vivo, «On the Road» conta ainda com o video-beat de Raquel Castro e continua em digressão. Em breve, numa paragem também por Coimbra.

"And for just a moment I had reached the point of ecstasy I had always wanted to reach, which was the complete step across chronological time into timeless shadows, and wonderment in the bleakness of the mortal realm, and the sensation of death kicking at my heels to move one, with a phantom dogging its own heels, and myself hurrying to a plank where all the angels dove off and flew into the holy void of uncreated emptiness, the potent and inconceivable radiances shining in bright Mind Essence, innumerable lotus-lands falling open in the magic mothswarm of heaven."

Viagem pela liberdade e pelo sonho, na Route 66, via Rádio Universidade de Coimbra, em 107.9 FM, sábado 14 de Março, arranque à meia-noite.



"Vi-os desaparecer na noite" já disponível para download.

Quarta-feira, Fevereiro 18, 2009

136. "O Maquinista" (João Branco Kyron) por João Branco Kyron

[Emissão Sáb.28.Fev.2009.24h]

Surgido um pouco do acaso, «O Maquinista» é o recente trabalho de João Branco Kyron, vocalista e letrista dos Hipnótica. A partir de vários textos seus construiu ambientes musicais que entende como ecos de memória - uma viagem a vivências, por entre Lisboa lembrada e Lisboa ficcionada.

Capítulos | O maquinista; Intromissão; O silêncio é o paraíso; Bebop no Hot club; Pôr do sol em Sta Catarina; Polaroids; Derradeiros segundos no matadouro; O anjo negro sobrevoa a cidade; Trilogia de Lisboa: I. da nostalgia; Trilogia de Lisboa: II. da desolação; Trilogia de Lisboa: III. do exílio; Salve os que me iluminaram; Epílogo.


Este é ainda o primeiro trabalho da Periscópio, uma editora criada para a divulgação de spoken word.

Para ouvir no éter dos 107.9FM, este sábado, 21 ou 28 de Fevereiro, à meia-noite.

Domingo, Fevereiro 01, 2009

134. "Sweet Thunder, Black Poetry" e "Letter to Young Sisters" (Nancy Dupree) por Nancy Dupree

[Emissão Sáb.07.&.14.Fev.2009.24h]

Professora de música, activista pelos direitos humanos, escritora, actriz, membro do Black Panther Party, uma voz negra do ghetto, inspiradora, carismática e pouco conhecida da cultura americana: Nancy Dupree (1936/80) é a próxima convidada do programa.

Nancy Dupree cresceu na Carolina do Sul e rumou a Nova Iorque esperando encontrar uma cultura mais tolerante. Em 1964, quando chegou, confrontou-se com manifestações pelos direitos civis e violência policial nas ruas. Foi em Rochester, Nova Iorque, que começou a mostrar a sua força e inconformismo enquanto professora de música numa escola local.

Apresentou aos seus alunos nomes como Odetta, Nina Simone e Leontyne Price, levou até à escola oradores como B.B. King e Muhammad Ali. "Ghetto Reality" é um álbum composto por músicas feitas por ela e o seu o coro de alunos, editado em 1970 pela Folkways Records. Um ano depois, Nancy Dupree era despedida da escola. No tempo que se seguiu focou-se na poesia, gravando dois discos a solo, em ambos os casos, leituras improvisadas, sem recurso a papel: "Sweet Thunder" e "Letter to Young Sisters" (que reúne registos autobiográficos).

"I walk into a room / Just as cool as you please, / And to a man, / The fellows stand or / Fall down on their knees. / Then they swarm around me, / A hive of honey bees. / I say, / It’s the fire in my eyes, / And the flash of my teeth, / The swing in my waist, / And the joy in my feet."

Poemas | Sweet Thunder (Introduction; My People Is; Bats and Butterflies; First Love; New Low; The Brothers; Let Me; Happy 4th of July, Y'All; Herd Runners; Self-Love) ~~~~~~ Letter to Young Sisters and Other Poems (Self-Praise; A Woman's Praise; Tears; Bulletholes; Letter to Young Sisters; Black Success; The Swinging Foot).

Banda Sonora | The Harmonizing Four - Motherless Child; Derrick Harriott - Message From a Black Man; Nina Simone - Plain Gold Ring; Sam Dees - Heritage of the Black Man; Gil Scott-Heron - The Revolution Will Not Be Televised ~~~~~~ Nancy Dupree & Rochester School-children - James Brown (Ghetto Reality); Odetta - Paths of Victory (Odetta sings Dylan); Last Poets - Black Wish; Camille Yarbrough - All Hid.

{Podcast: ouvir partes 1, 2 ou gravar partes 1, 2}

A arte pela dignidade, a poesia pela sobrevivência: sábados 7 e 14 de Fevereiro (1ª e 2ª partes), à meia-noite, na Rádio Universidade de Coimbra.